13 novembro 2012

7 corvos na praia





O único e intenso desejo dele era morrer, apenas não existir, o coração dele estava povoado de nada, nada que o satisfizesse nada que melhoraria o vazio que sentia. Ele não amava a mulher que tinha, queria distância dos dois filhos, os únicos que ele sabia que amava. Ele não tinha nada no coração, só o desejo de está em outro lugar com outras pessoas. A cada dia a frieza se apropriava dele, nada de compaixão, nada de afeto. Ele era apenas nome.
A mulher, todavia além de iluminar a casa com sua belezasempre foi extremamente amorosa,  ele sente que o dever dele é retribuir e amá-la, mas ele não consegue amar. Simplesmente não consegue olhar para mulher e sentir o desejo de está só e apenas com ela. Ele quer o mundo, quer tudo, quer ir aonde todos foram e onde ninguém foi. Ele não sabe nem o caminho do próprio coração.
Sentado no imenso nada, ele observa as ondas que vão e voltam o vento que apenas vai, o céu que nunca vai, sabendo quem ele é. Ele tenta sentir algo, tenta se importar, ele só sente culpa por ser assim, raiva por não oferecer a mulher o que ela merecia e rancor por ser o pai que era. Ele não sentia absolutamente nada além de pena e raiva de si próprio. Jogava pedrinhas na água que ia e vinha em sua direção, olhava além do limite e imaginava momentos ilusórios. Sua mente era brilhante carregada de ideias e projetos.
Sete corvos estavam a margem do mar, todos sete imóveis lado a lado um do outro , em completo silêncio observavam o horizonte distante, era uma paisagem exuberante, chegava a ser estranho todos aqueles pássaros olhando para o infinito, de pouco a pouco o ponto preto começou a se destacar. Em poucos segundos o ponto preto era mais um corvo se aproximando da margem, ele voava mais devagar que o normal, sua inclinação estava diferente dos voos normais.


Ele pousou perto dos sete, virou lentamente e de repente caiu. Caído na praia os sete corvos ficaram em volta dele, um dos corvos batia com o bico e arrastava a pequena ave caída, era transparente o sofrimento dos sete corvos, eles estavam sentindo a dor de perder alguém, era evidente que eles sentiam algo. Era evidente que uma ave tinha mais sentimento que aquela pedra de gelo feito de carne e osso. Era notável que a ave sentia mais que o homem. A ave não era apenas a carcaça de um nome.

2 comentários:

  1. Que história linda, Anhy. Eu senti a intensidade em cada palavra desse texto. Parabéns!!
    Não só as aves podem sentir mais que o homem, mas também muitos outros animais.
    Abraços!!!
    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  2. Gostei!!! as aves nos ensinam... não somos simplesmente um ser, somos muito mais: corpo,alma (sentimentos) Anhy parabéns vá em frente... minha amiga! estou atento!!!

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