10 agosto 2012

Lya Luft

Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

09 agosto 2012

MOMENTO DE POESIA



Arranquei-lhe um beijo
como se arranca uma esperança
dessas que se planta, rega, nasce e suplanta
Seus olhos arregalados me devoraram num susto profundo
Tão profundo quanto o beijo que lhe roubei
E minha língua roçando sua língua
seu estômago, seu pulmão, seu corpo, sua alma
E em pouco tempo nos tornamos nuvens
nuvens carregadas de poesia
Choveu poesia em nossos corpos
e nossos corpos suaram poesia
e quando acabou a poesia
A vida voltou ao mesmo inferno.

Henrique Rodrigues Soares

08 agosto 2012

Um Poema de....


O Sonho não pode acabar

O mundo despencando em conflitos e guerras
Lançado o homem nas trevas.
Fisgando suas forças sem jamais devolver
Tirando do seu peito o sonho de viver.

Já não temos mais noites de descanso
Tudo é um perigo, motivo de espanto.
Basta observar, nas ruas, os passantes
Sempre atentos, num ritmo constante.

Os pais têm medo deste mundo
Que está pronto a destruir-nos numa fração de segundos.
Fazendo-nos mergulhar na lama do individualismo
Enchendo nossas mentes pelo prazer no egocentrismo.

‘Tem que ser o melhor, não basta apenas ser bom ’
É esta a regra do sistema, mencionada sempre em alto som.
Nas universidades, nos bares ou nas igrejas
Para os estudantes, alcoólatras, ou mesmo entre as freiras.

E ninguém se importa com quem foi excluído
Tratamos o nosso próximo como se fossem inimigos.
O mundo moderno cegou nossas mentes
Deixando-nos psicologicamente doentes.

Tornamo-nos aos poucos, pessoas sistemáticas
Escondendo nossos sonhos num caráter enigmático.
No trabalho não podemos demonstrar afeto
É triste, mas este sistema corrupto está transformando nossas vidas num deserto.

São tantos os discursos sobre a tão desejada paz
Minhas palavras talvez sejam mais umas entre tantas a mais.
E não basta ficar parado vendo tudo acontecer
Vendo nossos jovens marginalizados, perdendo a vontade de viver.

É preciso arriscar-nos, acreditar no outro
Pois a vida sim é um verdadeiro tesouro.
As competições podem nos dar ‘prêmios’ materiais
Mas o amor é que nos torna pessoas reais.
Com sonhos, esperanças e ideais.

E mesmo num mundo sem princípios, sem boa conduta
É preciso acreditar no amor como força absoluta.
Despertar no outro a vontade de sonhar e viver.
E através do amor fazer o sonho renascer.

E veremos o quanto é recompensador
Devolver ‘sonhos’ em meio a tanta dor.
Compartilhar a alegria do sorriso de uma criança
Poder ajudar famílias, dar esperança.

Temos esse poder
De fazer brotar um novo amanhecer.
Só precisamos amar, correr atrás, acreditar.
Pois ‘O sonho não pode acabar. ’
 
Ananda Cristina Vieira de Oliveira

07 agosto 2012

Augusto Jorge Cury


Conheça sobre Augusto Cury


Augusto Jorge Cury é um dos mais renomados nomes da área de Recursos Humanos aqui no Brasil. Seus livros sempre despontam entre os mais vendidos e suas palestras sempre com certeza de casas lotadas.
Augusto Cury nasceu no ano de 1958 na cidade de Colina, no Estado de São Paulo e é um médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor de literatura de “autoajuda”. Além disso, é um pesquisador na área de qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência.
Augusto Cury desenvolveu a teoria da Inteligência Multifocal que diz respeito ao funcionamento da mente humana no processo de construção do pensamento e na formação de pensadores.
Sua teoria é usada como referência em teses de mestrado e doutorado, sendo objeto de pós-graduação lato sensu em diversas áreas das Ciências Humanas, tais como psicologia multifocal, gestão de pessoas e educação.
Seus livros já venderam mais de 12 milhões de exemplares somente no Brasil, tendo sido publicados em mais de 50 países. Foi considerado pelo jornal Folha de São Paulo o autor brasileiro mais lido da década.
Ele já escreveu livros, para educadores, mulheres, adolescentes, enfim.  Só quem já leu, pode tirar suas próprias conclusões. Eu particularmente, gosto muito dos seus livros.
Seus principais livros são  Revolucione sua qualidade de Vida; A ditadura da beleza e a revolução das mulheres; O futuro da humanidade; Você é insubstituível; Treinando a emoção para ser feliz; Nunca desista de seus sonhos; Pais brilhantes, professores fascinantes; Filhos brilhantes, alunos fascinantes; O Vendedor de Sonhos; Os Segredos do Pai-Nosso; Análise da Inteligência de Cristo; Dez Leis para Ser Feliz ; Doze semanas para mudar uma vida; Escola da Vida: Harry Potter no Mundo Real; Inteligência multifocal; Seja Líder de Si Mesmo e Superando o cárcere da emoção
Frases do autor_
“A maior aventura de um ser humano é viajar,
E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram…”


“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.”

Extraído do site: http://www.sempretops.com/pensamentos/augusto-cury-frases-mensagens-pensamentos-e-biografia/
Curiosidade: Ele era Ateu, mas ao estudar sobre a inteligência de Cristo, ele mudou completamente sua visão a respeito de Deus.
Veja o que ele pensa sobre a qualidade de vida dos brasileiros.
Dr. Augusto Cury: Não apenas no Brasil, mas no mundo ela está péssima. A maioria das pessoas tem vários sintomas psíquicos e psicossomáticos, como: dores de cabeça, dores musculares, gastrite, vertigem. E além disso, sintomas psíquicos como: irritabilidade, tensão, vivem um ativismo sem limites, não conseguem fazer das pequenas coisas um espetáculo aos seus olhos. Por isso eu recomendo a todos os que lêem essa entrevista, que leiam o livro "O futuro da humanidade". Por que esse livro tem encantado as pessoas, levado muitas delas às lágrimas? Porque fala de pessoas mutiladas, que conseguiram ter qualidade de vida no caos, fizeram da suas psicoses, depressões, ataque de pânico, um canteiro para aprender as mais belas experiências. Eles apostaram na vida quando o mundo desabava. "O futuro da humanidade" fala de pessoas que tiveram o mais importante romance. Uma romance com a própria existência.

Fragmento de uma entrevista. Veja o restante da entrevista neste site: http://www.cancaonova.com/portal/canais/entrevista/entrevistas.php?id=245

05 agosto 2012

O grande dia



O dia tão especial era chegado, todos se apressavam para ocupar os primeiros lugares, pois o local iria lotar a ponto de não caber nem uma agulha. Senhores vestidos honrosamente, donzelas com singelos vestidos caminhavam de um lado para o outro, o tic-tac do relógio parecia não acabar.
Longe dali Teresa vestia seu lindo vestido, com belas tranças feitas por sua mãe, ela estava tremendo afinal era seu grande dia, o dia em que ela subiria no altar com seu belíssimo vestido branco, seus lábios tremiam, sua face desfalecia, seu coração acelerava tanto a ponto de nem mais senti-lo.
Já na igreja Marcelo impaciente caminha de um lado para o outro, batia em seu pulso com a demora da amada.
Teresa pega a charrete com muito medo de algo dá errado, aproximando-se da igreja Teresa desce e diz que vai desistir, isso cai no ouvido do noivo e ele grita: Ela não pode, se ajoelhando diante de todos exclama.
-Esperem  mais um pouco, prometo que aumento o lanche
Então a voz é ouvida
- A noiva chegou, ela tá linda, Grita o cego.
- Graças a Deus, preciso de outra calça – sussurra Marcelo.
Então a música triunfal é reproduzida diante do altar, a benção começa a ser pronunciada ao casal. Chega ao final Felicidade aos noivos diz o padre pode beijar a noiva, o casal desengonçado chocam suas testas e não conseguem então Marcelo pega a mão de Teresa e beija, seus amigos os esperam na porta para jogar farinha como símbolo de prosperidade. Eles sobem na Charrete e vão em direção ao sul.
A cortina desce e o publico levanta e aplaude a peça mais esperada do ano que era o casamento do Padre Marcelo Rossi e a Madre Teresa de Calcutá.

04 agosto 2012

Resenha

O sobrevivente
172 paginas
Editora-Civilização Brasileira
Autor-Aleksander Henyk Laks comTova Sender

“Memórias de um brasileiro que escapou de Auschwitz”

Uma história de 12 capítulos contada pelo próprio sobrevivente.

Aleksander nasceu em Lodz, Polônia, nascido de um parto complicado, sua mãe teve complicações e morreu. Aos doze anos ele presencia as foças alemãs invadindo a Polônia, e vê sua cidade virar gueto.  O gueto logo se tornou o lugar mais seguro, mesmo não sendo.  A fome, a miséria, o desespero no rosto do povo era visível. Aleksander mal chegara a sua adolescência e agora fugia do perigo da morte que o seguia em cada esquina. Os nazistas torturavam, humilhavam os judeus sem nenhum motivo, só pelo simples prazer de vê-los sofrendo. Todo dia um grupo de judeus eram tirados do gueto e levados para um campo de extermínio. Da mesma forma, Aleksander embarcou em um trem com sua família.  Foram levados a um campo de concentração chamado Auschwitz, ele não esperava que essa viagem fosse apenas o inicio de um sofrimento interminável, nem ele sabe como conseguiu escapar da morte depois de tudo que viveu.

Um livro forte que conta as piores atrocidades do Holocausto.

Recomendo para  todas as pessoas. Desde que seja corajoso o suficiente para duvidar  da frieza do homem.

Aleksander, o autor é o próprio sobrevivente da grande atrocidade, conta os detalhes mais inimagináveis. Ele é judeu e após sua liberdade, foi para os Estados Unidos e atualmente, vive no Rio de Janeiro, Presidente da associação dos israelitas sobreviventes da perseguição nazista.
Tova Sender é escritora, psicóloga, educadora.

Anhy Menires

02 agosto 2012

A ignorância ao alcance de todos



Já não me lembro qual o motivo do almoço. Lembro-me, isto sim, que íamos caminhando, quando Alvinho disse, em voz alta:- Leônio Xanás!- O quê? ?
Perguntei, e Alvinho explicou que Leônio Xanás era o Nome do pintor que estava pintando seu apartamento. Até me mostrou um cartãozinho, escrito Leônio Xanás- Pinturas em geral  Peça Orçamento.
- Hoje acordei com o nome dele na cabeça.  Toda hora digo Leônio Xanás-
Ainda agorinha, ao entrar no lotação, disse alto Leônio Xanáse levei um susto, quando o motorista respondeu: Passa perto?. Ele pensou que eu estava perguntando por determinada rua e foi dizendo logo que passa perto, sem, ao menos, saber que rua era .Foi aí que nos nasceu a vontade de experimentar a sinceridade do próximo e nos nasceu a certeza de que ninguém gosta de confessar-se ignorante mesmo em relação às coisas mais corriqueiras. Entramos numa farmácia para comprar Alka- Seltzer ( pretendíamos tomar vinho no almoço) e Alvinho experimentou de novo, perguntando ao farmacêutico:- Tem Leônio Xanás?- Estamos em falta  foi a resposta.
E assim foi a coisa. Ninguém foi capaz de dizer que não conhecia nenhum Leônio Xanás ou que não sabia o que era Leônio Xanás. Nem mesmo a gerente de uma loja de roupas, que, geralmente, são senhoras de comprovada gentileza. Entramos num elegante magazine do centro da cidade para comprar um lenço de seda para presente. Vimos vários, todos bacanérrimos, mas - para continuar a pesquisa  indagamos a vendedora:- Não tem nenhum da marca Leônio Xanás? A mocinha pediu que esperássemos um momento, foi até lá dentro e voltou com a prestativa senhora gerente. Esta sorriu E quis saber qual era mesmo a marca:- Leônio Xanás  repeti, com esta impressionante cara-de-pau Que Deus me deu.
Madame voltou a sorrir e respondeu: - Tínhamos, sim, senhor. Mas acabou. Estamos esperando nova remessa. Foi uma pena não ter. Compramos de outra marca qualquer e fomos almoçar. Foi um almoço simpático com o velho amigo. Lembro-me que, na hora do vinho, quando o garçom trouxe a carta, Alvinho deu uma olhadela e disse, em tom resoluto:- Queremos uma garrafa de Leônio Xanás tinto. O garçom fez uma mesura: - O senhor vai me perdoar, doutor. Mas eu não aconselho este vinho. Devia ser uma questão de safra, daí a aconselhar outro:- O Ferreirinha não serve? É, irmãos, mal de muitos consolo é, mas ignorante que existe às pampas, ninguém quer ser.

De Stanislaw Ponte Preta